
Todos os regressos são partidas frustradas.
Todas as partidas são regressos abortados.
Mas é no momento do regresso que procuras esquecer o que ficou para trás e ingressar. Talvez o regresso deva ser um reingresso... Uma nova entrada, uma nova visão na passagem da soleira da porta para o mesmo mundo para o ambiente de sempre, os braços abertos para saudar quem te espera, mas braços tatuados pelas agulhas do portal de transição.
Pretendes mostrar essas tatuagens, exibi-las, Encobertas, apenas visíveis a quem partilha contigo essa luz reveladora do que foi e do que volta, do que ficou Além e do que transpôs as fronteiras de Ti.
A cada viagem uma melodia, um comboio industrial , pesado e concreto, que te protege do vento, do fracasso, da Vontade do que ficou para trás, daquela lusitana saudade, o teu cordão umbilical que te conecta inexoravelmente aos que restaram mas não são resto em Casa. Mas quando a melodia te falha ou te soa a ferida dissimulada que só te aquecia porque era sangue que jorrava e que só agora descobres, coagulado junto ao corpo, todo o regresso é indesejável porque paraste na estação errada e descobres que ninguém te espera e podes baixar os abraços porque ninguém tens para abraçar.

Reingressemos. Mas antes de partir façamos questão de deixar quem nos acolha, quem nos devolva ao nosso mundo e ria das fotos e marcas que ingressaram (essas sim, incólumes e virgens, pela primeira vez expostas à lufada de outros ares) connosco. Para rasgar álbuns novos e antigos bastamos nós, não precisamos de partir e regressar para encontrar o desolado deserto que fica com certeza que é ainda verdejante, mas apenas fotogénico campo.





